Gabinete do Vereador Meneghetti · Câmara Municipal de Santa Maria/RS

Diagnóstico operacional e plano de reestruturação dos fluxos de trabalho

Análise granular das funções, rotinas, gargalos e ferramentas do gabinete, com base no levantamento individual respondido pela equipe — e um plano de ação em 4 fases para transformar atividades dispersas em fluxos rastreáveis.

DocumentoRelatório de gestão interna
Base de dados5 respostas · 62 variáveis
ElaboraçãoRaonny Canabarro Costa · Assessoria do Gabinete
DataJulho de 2026
Conteúdo
  1. 01Sumário executivo
  2. 02Metodologia e base de dados
  3. 03Panorama individual da equipe
  4. 04Indicadores comparativos
  5. 05Radiografia do fluxo de demandas de rua
  6. 06Ecossistema de ferramentas
  7. 07Achados centrais
  8. 08Matriz de riscos operacionais
  9. 09Plano de ação passo a passo
  10. 10Fluxo futuro proposto
  11. 11Matriz RACI de responsabilidades
  12. 12Indicadores de gestão (KPIs)
  13. 13Cronograma de 90 dias
  14. 14Decisões requeridas e conclusão
01

Sumário executivo

O gabinete não sofre de falta de trabalho nem de falta de dedicação. Sofre de dispersão de fluxos: o trabalho existe, mas circula por canais informais, é registrado em seis lugares diferentes (ou em nenhum), depende de validações concentradas e não devolve retorno ao cidadão. O ponto mais sensível — apontado de forma independente por três dos cinco integrantes — é o fluxo de demandas de rua.

Registre-se, desde já, a limitação central do levantamento: todos os dados são autodeclarados e, na ausência de qualquer ferramenta de rastreio implantada, não são auditáveis. O que este diagnóstico mapeia com precisão é a percepção da equipe sobre o próprio trabalho — e a implantação do plano proposto é justamente o que produzirá, pela primeira vez, dados objetivos capazes de confirmar ou corrigir esse retrato (ver seção 02).

5
integrantes mapeados, cobrindo comunicação, agenda, jurídico, comunidade e chefia
9+
ferramentas em uso simultâneo, todas em versão gratuita e sem nenhuma integração entre si
6
sistemas distintos de registro de entregas para 5 pessoas — do Trello à lista de papel
0
painéis de acompanhamento com status, prazo e responsável visíveis para toda a equipe
4,4
autonomia média de rotina (escala 1–5) — a equipe sabe se organizar sozinha
2,8
clareza média de prazos (escala 1–5) — duas pessoas avaliaram 1/5
5/5
integrantes apontam a conversa informal como o canal que mais gera perda de informação
<30min
tempo diário que a chefia de gabinete consegue dedicar a planejamento estratégico

Veredito do diagnóstico

O gargalo do gabinete não é humano, é estrutural: um funil de demandas sem dono e sem fim, aprovações concentradas em duas pessoas, e um ecossistema de ferramentas gratuitas que não conversam entre si. Corrigir o fluxo de demandas de rua é a intervenção de maior retorno político imediato — porque é o único fluxo do gabinete cujo ciclo termina — ou deveria terminar — no próprio cidadão.

02

Metodologia e base de dados

O diagnóstico foi construído sobre um formulário estruturado de 62 variáveis, respondido individualmente por cada integrante do gabinete entre o final de junho e o início de julho de 2026. O instrumento cobriu oito dimensões:

DimensãoO que foi medidoTipo de dado
Identificação e funçãoCargo, área, tempo de casa, superior direto, descrição livre das funçõesTexto + categórico
Rotina e cargaAtividades diárias/semanais, horas dedicadas por tipo de tarefa, volume de demandasCategórico + escala
Autonomia e decisãoO que decide sozinho, o que depende da chefia, o que depende do vereadorTexto + escala 1–5
Entregas e mediçãoEntregas fixas, onde registra, frequência de revisão, feedback recebidoTexto + escala 1–5
DependênciasDe quem depende, quem depende de si, tarefas duplicadasTexto
GargalosO que atrasa, o que gera retrabalho, atividades sem responsável claroTexto
Canais e priorizaçãoCanais de entrada de demandas, ruído por canal, clareza de prioridadesCategórico + escala
Percepção e melhoriaO que padronizar, o que automatizar, maior problema operacional em uma fraseTexto livre

As respostas quantitativas (escalas 1–5, faixas de volume e de horas) foram consolidadas em indicadores comparativos. As respostas qualitativas foram cruzadas entre si para identificar convergências independentes — quando dois ou mais integrantes, sem se consultarem, apontam o mesmo problema. Toda citação neste relatório é literal e identificada pela fonte. O autor deste relatório, também assessor do gabinete, não integrou a amostra por ser o responsável pela condução do diagnóstico — condição necessária à isenção da análise.

Limitação metodológica — dados autodeclarados

Todas as 62 variáveis do levantamento são autodeclaradas. Como o gabinete não possui hoje nenhuma ferramenta de rastreio implantada, não é possível auditar volumes, tempos, conclusões ou fluxos informados: não há registro objetivo contra o qual conferir as respostas. Três consequências de leitura decorrem disso: (1) os indicadores individuais devem ser lidos como percepção, não como medição — estão sujeitos a viés de autoavaliação, de memória e de desejabilidade; (2) o peso probatório do diagnóstico está nas convergências independentes: quando três ou quatro pessoas, sem se consultarem, descrevem a mesma quebra de fluxo, a probabilidade de o problema ser real é alta mesmo sem medição; (3) a própria impossibilidade de auditar as respostas confirma o achado central do relatório — a ausência total de rastreabilidade (Achado A5). Por isso, o plano de ação foi desenhado para que sua implantação produza os dados que hoje não existem: os primeiros 60 dias de operação medida funcionam como teste do próprio diagnóstico (Passo 3.2).

Nota de leitura: este relatório trata de riscos de processo, não de desempenho individual. Onde há sobreposição ou lacuna, a causa identificada é a ausência de definição formal de fluxo — não falha pessoal. Recomenda-se apresentar o material à equipe nesses termos. O levantamento abrange os cinco integrantes listados na seção 03; o autor deste relatório, também assessor do gabinete, não integra a amostra por ser o responsável pela condução da análise. Índice de atenção: média ponderada de volume, prazos, feedback e centralização, calculada na base analítica anexa; quanto maior, mais urgente a intervenção de processo sobre aquela função.

03

Panorama individual da equipe

Cinco funções complementares, cinco realidades operacionais distintas. Os perfis abaixo consolidam, para cada integrante, o escopo declarado, os indicadores individuais e a citação mais reveladora da própria resposta.

Gabriel Lima Mendes

Chefe de Gabinete · 18 meses de atuação · reporta ao Vereador
Índice de atenção 3,8 — o mais alto

Escopo declarado

Chefia e coordenação; minutas legislativas (PLs, pedidos de informação, emendas, moções, pedidos de providência); protocolo e acompanhamento no Cittá; revisão de tudo — ofícios, agenda, vídeos, cards, ordem do dia, tramitação de projetos; despacho de atividades e gestão de fluxos internos e externos.

Leitura do diagnóstico

É o nó central de todos os fluxos: recebe de 11 a 20 demandas novas por dia (o maior volume da equipe), não consegue estimar quantas conclui, e dedica menos de 30 minutos diários a planejamento estratégico — o menor tempo do gabinete, na função que mais deveria planejar. Reporta ter de "pôr a mão na massa" para corrigir entregas de terceiros (português, formatação, modelos) e aponta as demandas de rua preenchidas com erro no kanban como seu principal gargalo. Ele mesmo reconhece: "deveria delegar mais".

Indicadores (escala 1–5)

Volume de trabalho
4
Autonomia
3
Prazos claros
4
Feedback recebido
2
Demandas novas/dia
11–20
Na própria resposta — maior problema do gabinete"Demandas de rua quanto à sua organização, revisão, protocolo e contato com eleitor (todo esse fluxo) — preciso de alguém para assumir e ficar somente revisando."

Maria Eduarda Cesar Salvador

Secretária — Assessora tipo III · desde jan/2025 · reporta ao Gabriel
Índice de atenção 3,5

Escopo declarado

Articulação das agendas do vereador e do Giuseppe (com logística e reservas); recebimento, filtro e registro de demandas da população no kanban; elaboração de ofícios e pedidos de informação; envio e impressão da ordem do dia com os PLs (segundas e quartas); planilhas de projetos de lei; documentos no Drive.

Leitura do diagnóstico

É a única com entrega semanal fixa formalizada (ordem do dia) e a maior processadora de volume regular (6–10 demandas/dia). Convive com três agendas misturadas (vereador, Giuseppe, campanha), interferência de múltiplas pessoas nos agendamentos e informações incompletas "do pessoal de POA". Registra demandas em duplicidade com o Dezorzi, controla o próprio trabalho em lista de papel, e relata ter produzido planilhas trabalhosas que "raramente são vistas ou usadas". Feedback: raramente.

Indicadores (escala 1–5)

Volume de trabalho
3
Autonomia
5
Prazos claros
4
Feedback recebido
2
Demandas novas/dia
6–10
Na própria resposta — maior problema do gabinete"Falta de retorno para a população referente às demandas externas que chegam."

Tamiris da Rosa Loreto

Assessora — Comunicação e redes sociais · 4 meses · reporta ao Vereador e ao Gabriel
Índice de atenção 3,4

Escopo declarado

Toda a comunicação do mandato: planejamento estratégico e calendário editorial; produção de conteúdo, roteiros e textos; cobertura presencial de todas as agendas (inclusive fins de semana); captação e edição audiovisual; design gráfico completo; criação e manutenção do site; assessoria de imprensa; clipping; discursos e pronunciamentos.

Leitura do diagnóstico

Escopo desproporcional para uma pessoa — ela lista sozinha mais de 80 atividades distintas, o equivalente a uma agência de comunicação inteira. Avalia a clareza de prazos em 1/5 (a pior nota da equipe) e aponta como gargalo a demora na aprovação final de posts, que depende do vereador e do Gabriel. Não registra entregas em lugar nenhum, mantém sobreposição no site e não sabe qual é seu papel na campanha.

Indicadores (escala 1–5)

Volume de trabalho
4
Autonomia
5
Prazos claros
1
Feedback recebido
4
Demandas novas/dia
3–5
Na própria resposta — maior problema do gabinete"A falta de clareza visual das demandas e do que tem que ser feito!"

Carlos Alberto Dezorzi

Assessoria diversa — Atendimento à comunidade · desde jan/2025 · reporta ao Gabriel
Índice de atenção 3,2

Escopo declarado

Visitas a escolas, comércios e postos de saúde; representação do vereador em eventos; captação de demandas da população; verificação do andamento das demandas; cobrança dos setores responsáveis na Prefeitura; participação semanal na reunião do Diretório do NOVO.

Leitura do diagnóstico

É a função de menor clareza formal do gabinete. À pergunta sobre atividades indispensáveis, respondeu "não sei precisar"; se organiza por orientação verbal; avalia prazos em 1/5; não consegue estimar quantas demandas conclui; e ainda usa ficha de papel para cadastrar demandas — o formato que o formulário digital veio substituir. Na pergunta final sobre o que não foi perguntado, ele mesmo escreveu a lacuna: "qual minha função principal". Ao mesmo tempo, é quem tem o maior capital relacional de rua do mandato e é o único elo de cobrança junto à Prefeitura.

Indicadores (escala 1–5)

Volume de trabalho
3
Autonomia
5
Prazos claros
1
Feedback recebido
5
Demandas novas/dia
0–2
Na própria resposta — o que não foi perguntado"Qual minha função principal."

Ricardo Siqueira

Assessor 01 — Jurídico · 1 ano e 7 meses · reporta ao Gabriel
Índice de atenção 2,6 — o mais baixo

Escopo declarado

Pareceres jurídicos; projetos de lei e emendas; suporte a visitas com o vereador; participação em audiências públicas; vistas em entidades e secretarias.

Leitura do diagnóstico

A função mais estável e delimitada do gabinete: escopo claro, prazos claros (4/5), revisão semanal, sem duplicidades declaradas. Os pontos de melhoria são de mensuração e documentação: as entregas são registradas apenas em e-mail, sem painel de status, e ele próprio identifica o uso de papel como fonte de perda de informação. É também a resposta menos crítica do conjunto ("nada a mudar") — o que sugere baixa exposição aos fluxos problemáticos, e não ausência deles.

Indicadores (escala 1–5)

Volume de trabalho
4
Autonomia
4
Prazos claros
4
Feedback recebido
2
Demandas novas/dia
3–5
Na própria resposta — maior problema do gabinete"Uso de papel é perda da informação."
04

Indicadores comparativos

Lado a lado, os números individuais revelam o padrão estrutural: autonomia alta e prazos baixos — a equipe sabe trabalhar sozinha, mas não sabe para quando. Todos os valores desta seção são autodeclarados: leia-os como o retrato que cada integrante faz do próprio trabalho, não como medição — a medição objetiva só passa a existir com a implantação do plano (seções 09 e 12).

Mapa de calor — autoavaliação por dimensão (escala 1–5)

Células escuras em laranja indicam pontos críticos. As duas notas 1 em "prazos" e o 3 de autonomia da chefia são os sinais mais fortes da tabela.

IntegranteVolumeAutonomiaConclusão diáriaPrazos clarosFeedbackPrioridades clarasÍndice de atenção
Gabriel — Chefia4344243,8
Maria — Agenda3544233,5
Tamiris — Comunicação4541433,4
Carlos — Comunidade3531553,2
Ricardo — Jurídico4444242,6

Detalhe relevante: 3 dos 5 integrantes (Maria, Ricardo e Gabriel) avaliam o feedback recebido em 2/5. A revisão de qualidade existe apenas no jurídico (semanal) e na comunicação (diária, mas só na aprovação final).

Volume de demandas novas por dia — faixas declaradas

Escala 0–20. A chefia recebe até 4x mais demandas diárias que qualquer outro integrante e não consegue estimar a própria conclusão.

Gabriel (Chefia)
11–20
Maria (Agenda)
6–10
Tamiris (Comunicação)
3–5
Ricardo (Jurídico)
3–5
Carlos (Comunidade)
0–2
05101520

Distribuição do tempo diário por tipo de atividade

Proporção estimada a partir das faixas declaradas (ponto médio de cada faixa). O dado mais grave está na última linha: a função estratégica do gabinete é a que menos tempo estratégico tem.

Tamiris
Externas >4h1–2h≈45min
Maria
Internas >4hEstratégicas 2–4h
Ricardo
2–4h2–4h≈45min
Carlos
Externas >4h1–2h≈45min
Gabriel
1–2hInternas/administrativas >4h<30m
Demandas externas Tarefas internas/administrativas Estratégia e planejamento

Onde cada pessoa registra suas entregas hoje

IntegranteRegistra?OndeFrequência de revisãoRastreável pela equipe?
TamirisNãoApenas a agendaDiária (só aprovação final)Não
MariaNãoLista de papel ("vou riscando")RaramenteNão
RicardoSimE-mailSemanalParcial
CarlosSimFicha de papelSemanalNão
GabrielSimE-mail + Trello + SignalSemanalParcial

Seis sistemas de registro para cinco pessoas — e nenhum deles é visível para os demais. É materialmente impossível, hoje, responder à pergunta "o que o gabinete entregou esta semana?" sem perguntar pessoa a pessoa.

05

Radiografia do fluxo de demandas de rua

Este é o fluxo mais sensível do mandato — o único que começa e deveria terminar no eleitor. A implantação do formulário digital foi um avanço real sobre as fichas de papel, mas o fluxo evoluiu apenas na entrada: da triagem em diante, ele se fragmenta em sete pontos de ruptura mapeados nas respostas.

Fluxo atual — como a demanda circula hoje
Captação na rua

Assessor de campo ouve o cidadão em visitas e eventos.

Dezorzi
1
Formulário online

Registro no Airtable — mas com campos livres que permitem erros e dados incompletos.

Dezorzi / Maria
2
Kanban Airtable

Demanda cai no quadro — registrada em duplicidade, sem estados padronizados nem prazos.

Maria + Dezorzi
3
Triagem informal

Demanda "se perde" entre secretária e chefia; a passagem de bastão acontece por conversa.

Maria ↔ Gabriel
4
Revisão e protocolo

Chefia corrige erros de preenchimento e protocola no Cittá — gargalo declarado.

Gabriel
5
Cobrança à Prefeitura

Cobrança presencial, sem lista sistemática nem registro do resultado.

Dezorzi
6
Retorno ao cidadão

Não existe etapa formal de retorno. O ciclo simplesmente não fecha.

Ninguém
RUPTURA 01

Entrada sem validação

O formulário aceita dados incompletos ou com erro, e cada erro vira retrabalho manual duas etapas depois — na mesa da chefia.

Gabriel: "demandas preenchidas com erros (de rua — kanban)" como gargalo nº 1
RUPTURA 02

Registro em duplicidade

Duas pessoas registram as mesmas demandas sem divisão formal de papéis, multiplicando a chance de versões divergentes da mesma solicitação.

Maria: "registro de demandas da população — eu e o Dezorzi que registramos"
RUPTURA 03

Triagem sem dono

Não há responsável formal pela passagem kanban → providência. A demanda avança quando alguém lembra dela — e "se perde" quando ninguém lembra.

Convergência: 4 dos 5 integrantes citam demandas de rua/providência como tema crítico
RUPTURA 04

Gargalo na chefia

Revisão, correção e protocolo concentrados em quem já recebe 11–20 demandas/dia. A tentativa anterior de delegar (ao assessor de campo) não prosperou por falta de processo, não de pessoa.

Gabriel: "com Dezorzi tocando não deu certo e comigo tem sobrecarregado"
RUPTURA 05

Cobrança sem rastro

A cobrança dos setores da Prefeitura depende da memória e da presença física do assessor de campo; não há lista, prazo, nem registro da resposta obtida.

Carlos: "falta de retorno do setor da Prefeitura responsável pela demanda solicitada"
RUPTURA 06

Ciclo que não fecha

O cidadão que pediu nunca é formalmente avisado do desfecho. Cada demanda sem retorno é trabalho real feito e capital político não colhido — ou perdido.

Maria: "falta de retorno para a população" como o maior problema do gabinete
RUPTURA 07 — TRANSVERSAL

Canais paralelos alimentam o fluxo à margem do funil oficial

Demandas continuam entrando por WhatsApp, ligação, e-mail e conversa presencial sem passar pelo formulário — ou seja, o funil oficial convive com quatro funis invisíveis. Todos os cinco integrantes apontaram a conversa informal como o canal que mais gera perda de informação.

Canais de entrada declarados: WhatsApp (5/5), presencial (3/5), ligação (2/5), e-mail (2/5), agenda, sistema e conversa informal
06

Ecossistema de ferramentas

O gabinete opera com nove ou mais ferramentas simultâneas, todas em plano gratuito e nenhuma integrada às demais. O resultado: cada transição entre ferramentas é feita à mão, por uma pessoa, e cada transição manual é um ponto potencial de perda de informação.

WhatsApp

Canal principal de comunicação — e canal paralelo de entrada de demandas.
▲ Demandas entram fora do funil oficial

Signal

Segundo canal de mensagens; usado pela chefia também como registro de entregas.
▲ Duplica o WhatsApp; registro não rastreável

Gmail

Demandas jurídicas, disparos da chefia, registro de entregas do jurídico.
▲ Caixa de entrada como gestor de tarefas

Google Agenda

Três agendas misturadas: institucional, campanha e Giuseppe.
▲ Múltiplas pessoas editam sem regra

Airtable (free)

Formulário de demandas de rua + kanban. O centro potencial do fluxo.
● Base certa — subutilizada (sem validação, automação ou SLA)

Trello

Usado individualmente pela chefia, invisível ao resto da equipe.
▲ Redundante com o Airtable

Google Drive / Sheets

Documentos e planilhas de PLs e pedidos de informação.
▲ Planilhas produzidas e não consultadas

Cittá

Sistema oficial da Câmara — protocolo legislativo. Não se substitui.
● Externo e obrigatório; ponto final natural do fluxo

Papel

Lista de tarefas da secretaria + ficha de cadastro de demandas do campo.
▲ Crítico: informação sem backup nem busca

Diagnóstico de ferramentas

O problema não é a quantidade de ferramentas gratuitas — é a ausência de uma fonte única de verdade. A recomendação deste relatório não exige compra imediata de software: exige eleger o Airtable como hub oficial de demandas, explorar suas automações nativas (disponíveis mesmo no plano gratuito, com limites) e rebaixar as demais ferramentas a funções de conversa — não de gestão. A decisão sobre migrar para plano pago ou para sistema próprio fica para a Fase 3, com dados reais de volume em mãos.

07

Achados centrais

Sete achados, todos ancorados em evidência direta das respostas. Os três primeiros são estruturais; os quatro seguintes são consequência deles.

A1

O fluxo de demandas de rua não tem dono nem fim

É o único tema apontado espontaneamente por quatro dos cinco integrantes — cada um enxergando um pedaço diferente da mesma quebra.

A chefia vê o erro de preenchimento e a sobrecarga de revisão; a secretaria vê a duplicidade de registro e a falta de retorno ao cidadão; o campo vê a falta de resposta da Prefeitura; a comunicação vê a invisibilidade do que está rodando. São quatro sintomas do mesmo problema: ninguém é formalmente dono do fluxo de ponta a ponta, e nenhuma etapa tem prazo.

Gabriel — chefia"Preciso de alguém para assumir e ficar somente revisando" — sobre todo o fluxo de demandas de rua.
Maria — agenda"O registro de demandas da população poderia ser automatizado ou ser feito pelo próprio demandante."
Carlos — comunidadeGargalo principal: falta de retorno do setor da Prefeitura responsável pela demanda.
A2

A chefia foi absorvida pela operação

O maior volume de demandas, a menor autonomia percebida e o menor tempo estratégico do gabinete — tudo na mesma função.

Gabriel recebe 11–20 demandas novas por dia, dedica menos de 30 minutos diários a planejamento, corrige pessoalmente português e formatação de entregas alheias e ainda protocola tudo no Cittá. Ele mesmo diagnostica: "deveria pensar mais no planejamento estratégico e ficar menos em demandas mão na massa" e "deveria delegar mais". Não é falta de capacidade da chefia — é ausência de camada operacional entre a chefia e as demandas. Todo fluxo mal desenhado do gabinete termina, por gravidade, na mesa da chefia.

Sinal quantitativoAutonomia 3/5 (a menor da equipe) numa função de comando — porque quase todas as suas decisões passam previamente pelo vereador.
A3

Aprovação concentrada é o gargalo transversal

Comunicação, jurídico e agenda travam no mesmo ponto: a validação final do vereador e/ou da chefia.

Tamiris espera aprovação de posts ("posso iniciar as decisões mas a aprovação final sempre depende do Luiz e do Gabi"); Ricardo espera o vereador para enviar projetos de lei; Maria espera confirmações de agenda que não voltam. O padrão é racional em um mandato — a palavra final é política — mas sem prazo de resposta definido, cada aprovação pendente vira estoque invisível. O retrabalho declarado da comunicação (posts alterados até aprovar) é sintoma direto disso.

A4

A conversa informal é o sistema operacional real do gabinete

Unanimidade: 5 de 5 integrantes apontam a conversa informal como o canal que mais gera ruído e perda de informação.

As demandas entram por sete canais diferentes (WhatsApp, presencial, ligação, e-mail, agenda, sistema, conversa informal) e as prioridades chegam com clareza média de 3,0 a 3,8. Nas funções de execução mais exposta — comunicação e campo — a clareza de prazos cai para 1/5. O gabinete decide conversando, mas não registra o que decidiu; o resultado é que ordens, prioridades e prazos existem apenas na memória de quem participou da conversa.

A5

Registro fragmentado: o trabalho existe, mas não deixa rastro

Seis sistemas de registro para cinco pessoas; duas pessoas não registram nada; planilhas produzidas e nunca consultadas.

Sem registro unificado, três coisas ficam impossíveis: prestar contas do que o gabinete entrega (inclusive publicamente), dar feedback baseado em fatos, e proteger o mandato de perda de informação quando alguém falta ou sai. O relato da secretaria de que "já fiz planilhas bem trabalhosas que raramente são vistas ou usadas" mostra o custo invertido: a equipe até produz controle — mas produz controle que ninguém gerencia.

Há ainda uma quarta consequência, que atinge este próprio relatório: sem rastreio, nem o diagnóstico do gabinete pode ser auditado. Os volumes e tempos aqui apresentados são a versão de cada integrante sobre si mesmo — e permanecerão inverificáveis até que exista registro objetivo. A rastreabilidade proposta no plano não serve só à gestão do dia a dia: é o que permite, daqui a 60 dias, saber se o retrato declarado corresponde à realidade.

A6

Zonas cinzentas de responsabilidade em quatro frentes

Campanha, agenda do Giuseppe, função central do campo e pedidos de providência não têm dono formal.

Tamiris sabe que deve ajudar na campanha, "mas não tá claro o que eu devo fazer". Maria administra a agenda do Giuseppe com "muitas pessoas intervindo" e reuniões que ela mesma descreve como improdutivas. Carlos pergunta, na última linha do formulário, qual é sua função principal. E os pedidos de providência estão órfãos desde que a primeira tentativa de delegação não prosperou. Zona cinzenta não é neutra: ela consome energia em negociação diária de quem faz o quê.

A7

Autonomia alta é ativo desperdiçado

O dado mais positivo do diagnóstico — média 4,4/5 de autonomia de rotina — hoje não se converte em velocidade.

A equipe se autogere bem no dia a dia, e isso é raro e valioso. Mas autonomia de rotina sem prazos claros, sem painel comum e com aprovação concentrada produz cinco rotinas paralelas eficientes que não somam. A boa notícia estrutural: o gabinete não precisa de mais controle sobre pessoas — precisa de mais estrutura sobre fluxos. É uma mudança de processo, não de gestão de pessoal, e por isso é mais rápida e menos traumática de implementar.

08

Matriz de riscos operacionais

Priorização dos riscos por gravidade e frente afetada. A linguagem é deliberadamente de risco de processo — recomendada também para a apresentação do material à equipe.

FrenteRisco identificadoGravidadeAção estruturante (detalhada na seção 09)
Demandas de rua
Todo o gabinete
Fluxo sem dono, sem prazos e sem retorno ao cidadão; entrada com erros; registro duplicado; canais paralelosAltoFase 1 completa: dono formal, formulário validado, kanban com SLA, rito de cobrança e retorno obrigatório
Chefia
Gabriel
Centralização operacional; perda da função estratégica; ponto único de falha do gabineteAltoPassos 0.1 e 1.2: transferir operação de demandas e protocolo no Cittá (Raonny); chefia mantém apenas revisão de mérito e decisão
Canais
Todo o gabinete
Conversa informal como via oficiosa de demandas e prioridades; perda de informação unânimeAltoPasso 0.4: política de canal único — "o que não está registrado não existe"
Comunicação
Tamiris
Aprovação sem prazo gera retrabalho e atraso; escopo unipessoal desproporcional; entregas sem registroMédio-altoFase 2: calendário editorial, SLA de aprovação com aprovação tácita, quadro visível de demandas
Agenda
Maria
Três agendas misturadas; interferências múltiplas; informações incompletas de terceirosMédio-altoPasso 2.3: separar agendas institucional, campanha e Giuseppe, com regras de inserção
Comunidade
Carlos
Função sem definição formal; entregas não rastreáveis; dependência de ficha de papelMédio-altoPassos 0.1, 1.5 e 2.5: definir função central, metas semanais e registro digital obrigatório
Jurídico
Ricardo
Entregas claras porém sem painel de status/prazo; registro apenas em e-mail; papel em circulaçãoMédioPasso 2.4: painel jurídico com status, prazo e solicitante; eliminação do papel
Gestão
Vereador
Impossibilidade de responder "o que entregamos esta semana" sem consulta pessoa a pessoaMédio-altoFase 3: painel único de gestão com KPIs (seção 12)
09

Plano de ação passo a passo

Quatro fases em 90 dias, sem custo obrigatório de software nas três primeiras. Cada passo tem responsável sugerido, prazo e critério de conclusão — para que o plano seja cobrável, e não apenas desejável.

Fase 0

Decisões estruturais

Semanas 1–2
0.1

Nomear o dono operacional do fluxo de demandas de rua

Decisão formal, comunicada à equipe: Maria assume a operação do funil (triagem, registro, acompanhamento de status e retorno ao cidadão); Dezorzi assume o campo (captação qualificada e rito de cobrança à Prefeitura), com função formalmente definida como "relacionamento comunitário e demandas de rua"; Raonny assume o protocolo no Cittá; e Gabriel sai integralmente da operação, concentrando-se na revisão de mérito e na decisão — retirando da chefia também a última carga operacional do fluxo. Esta é a decisão estruturante do plano: sem ela, os demais passos não se sustentam.

DecisorVereadorPrazoSemana 1Concluído quandoAnúncio formal na reunião de equipe
0.2

Aprovar a matriz RACI do gabinete

Validar (ou ajustar) a matriz proposta na seção 11, que define para cada frente quem executa, quem aprova, quem é consultado e quem é informado. Resolve de uma vez as quatro zonas cinzentas do achado A6 — inclusive o papel de cada um na campanha e as regras da agenda do Giuseppe.

DecisorVereador + GabrielPrazoSemana 1Concluído quandoRACI assinada e distribuída
0.3

Instituir a reunião semanal de 30 minutos com pauta fixa

Segunda-feira, 30 minutos, pauta imutável em quatro blocos: (1) pendências da semana anterior, (2) prioridades da semana, (3) gargalos e travas de aprovação, (4) agenda do vereador. Demanda pedida pela própria equipe — a secretaria sugeriu reuniões de rotina, o campo pediu "mais reuniões do gabinete". Substitui parte do fluxo informal por um momento formal e curto.

ResponsávelGabriel (condução)PrazoInício na semana 2Concluído quando3 reuniões consecutivas realizadas
0.4

Publicar a política de canais

Uma página, três regras: WhatsApp e Signal servem para conversar, não para demandar; toda demanda — de rua, de eleitor, interna — só existe oficialmente quando registrada no Airtable; quem receber demanda por canal informal tem a obrigação de registrá-la (ou pedir que o demandante registre) em até 24h. Lema sugerido para fixar a cultura: "o que não está no painel, não existe".

ResponsávelGabriel + Raonny (redação)PrazoSemana 2Concluído quandoPolítica lida e aceita pelos 5
Fase 1

Reconstrução do fluxo de demandas de rua

Dias 1–30
1.1

Blindar a entrada: revisar o formulário Airtable

Tornar obrigatórios e validados os campos que hoje causam retrabalho: nome e telefone do solicitante (com máscara), endereço completo/ponto de referência, bairro em lista fechada, categoria da demanda em lista fechada (infraestrutura, saúde, educação, iluminação etc.), descrição mínima e campo de foto. Cada erro eliminado na entrada é uma correção a menos na mesa da chefia — ataque direto ao gargalo nº 1 declarado.

ResponsávelRaonny (execução) + Gabriel (validação)PrazoDias 1–7Concluído quandoZero demandas com campo essencial vazio por 2 semanas
1.2

Unificar a entrada e acabar com a duplicidade de registro

Regra única: toda demanda — captada na rua, recebida por WhatsApp, presencial ou e-mail — entra pelo mesmo formulário. Divisão formal: Dezorzi registra o que capta em campo (no ato, pelo celular); Maria registra o que chega pelos demais canais e faz a triagem única. Fim das duas versões da mesma demanda.

ResponsávelMaria + DezorziPrazoDias 7–14Concluído quandoNenhum registro duplicado no mês
1.3

Redesenhar o kanban com estados padrão e prazos por etapa

Sete colunas fixas com SLA: Recebida (D0) → Triada (até D+2) → Protocolada/Encaminhada (até D+5) → Em execução (revisão quinzenal) → Em cobrançaRetorno ao cidadão (até 2 dias após a resposta do órgão) → Encerrada. Cada cartão carrega responsável da etapa e data-limite. A demanda deixa de "se perder" porque parada em etapa vencida vira alerta, não silêncio.

ResponsávelRaonny (estrutura) + Maria (operação)PrazoDias 7–14Concluído quando100% das demandas ativas migradas
1.4

Ativar as automações nativas do Airtable

Três automações mínimas, disponíveis mesmo no plano gratuito (com limite mensal de execuções a monitorar): (a) confirmação automática ao cidadão no momento do registro, com número de acompanhamento; (b) alerta ao responsável quando uma demanda estoura o prazo da etapa; (c) resumo semanal automático das demandas por status, enviado antes da reunião de segunda. Se o volume exceder o limite gratuito, esse dado real fundamenta a decisão da Fase 3.

ResponsávelRaonnyPrazoDias 14–21Concluído quando3 automações testadas em produção
1.5

Criar o rito de cobrança à Prefeitura

Toda sexta-feira, o painel gera a lista de demandas "Em cobrança"; o Dezorzi realiza as cobranças na semana seguinte e registra em cada cartão o resultado (setor, interlocutor, resposta, nova previsão). A cobrança deixa de depender de memória e passa a ter rastro — que, acumulado, vira inclusive insumo político sobre a responsividade de cada secretaria.

ResponsávelDezorzi (execução) + Maria (lista)PrazoDias 14–30Concluído quando2 ciclos semanais completos registrados
1.6

Fechar o ciclo: retorno obrigatório ao cidadão

Criar modelos de mensagem por categoria e por desfecho (atendida, encaminhada, negada com justificativa, em andamento) e tornar o retorno uma etapa formal do kanban — a demanda só pode ser encerrada depois do retorno registrado. É o passo de maior retorno político do plano inteiro: transforma cada demanda concluída em um contato positivo e mensurável com o eleitor.

ResponsávelMaria (envio) + Tamiris (modelos)PrazoDias 21–30Concluído quando≥90% dos encerramentos com retorno
Fase 2

Comunicação, agenda e aprovações

Dias 30–60
2.1

Implantar o calendário editorial semanal

Quadro único e visível (base no próprio Airtable ou Sheets) com as peças da semana: pauta, formato, responsável, status e data de publicação. Ataca diretamente o maior problema declarado pela comunicação — "a falta de clareza visual das demandas e do que tem que ser feito" — e dá ao vereador visão antecipada do que será publicado.

ResponsávelTamirisPrazoDias 30–40Concluído quando4 semanas consecutivas planejadas
2.2

Definir SLA de aprovação com aprovação tácita

Peças rotineiras (cobertura de agenda, prestação de contas, datas comemorativas): prazo de 24h úteis para revisão; sem manifestação, a peça é considerada aprovada. Peças sensíveis (posicionamento político, temas polêmicos, crise): aprovação expressa do vereador, sempre. A regra libera a comunicação sem retirar do vereador o controle do que importa — e elimina o estoque invisível de posts parados.

DecisorVereadorPrazoDias 30–40Concluído quandoTempo médio de aprovação < 24h
2.3

Separar as três agendas

Três calendários distintos no Google Agenda — institucional (mandato), campanha e Giuseppe — com cores próprias, donos próprios e regra de inserção: apenas Maria insere e altera; qualquer outra pessoa solicita por registro, não por conversa. Compromissos combinados diretamente pelo vereador devem ser comunicados a Maria no mesmo dia. Reavaliar o formato da reunião de agenda com a equipe de POA, apontada como improdutiva.

ResponsávelMaria + GabrielPrazoDias 30–45Concluído quandoZero conflitos de agenda em 30 dias
2.4

Criar o painel jurídico

Base simples (Airtable ou Sheets) com pareceres, PLs, emendas e pedidos de informação por status, prazo e solicitante. Substitui o registro por e-mail, elimina o papel apontado pelo próprio jurídico como fonte de perda de informação e dá à chefia visão de carga sem precisar perguntar.

ResponsávelRicardo + Raonny (estrutura)PrazoDias 40–55Concluído quando100% das demandas jurídicas ativas no painel
2.5

Instituir a rotina de feedback individual

Conversa quinzenal de 15 minutos entre Gabriel e cada integrante, com base no painel (fatos, não impressões): o que foi entregue, o que travou, o que precisa. Três dos cinco integrantes avaliam o feedback recebido em 2/5 — e a secretaria pediu isso textualmente. Custo: 75 minutos por quinzena da chefia. Retorno: retenção, correção precoce de rota e fim das planilhas invisíveis.

ResponsávelGabrielPrazoA partir do dia 45Concluído quando2 ciclos completos com os 5
Fase 3

Consolidação e medição

Dias 60–90
3.1

Publicar o painel único de gestão do gabinete

Dashboard consolidado — na linha do que o gabinete já opera com o S.O.M. — reunindo os KPIs da seção 12: demandas por status/bairro/categoria, tempos médios por etapa, taxa de retorno ao cidadão, produção legislativa e comunicação. Atualização automática a partir das bases das Fases 1 e 2. É a resposta permanente à pergunta "o que o gabinete entregou esta semana".

ResponsávelRaonnyPrazoDias 60–75Concluído quandoPainel em uso na reunião semanal
3.2

Revisar RACI e SLAs — e auditar o próprio diagnóstico

Com 60 dias de operação medida, duas revisões. Primeira, de calibragem: os prazos por etapa estão realistas? A divisão Maria/Dezorzi está equilibrada? A chefia efetivamente saiu da operação? Segunda, de validação do diagnóstico: confrontar os dados medidos com o levantamento autodeclarado que originou este relatório — os volumes de demandas, os tempos por etapa e os gargalos relatados se confirmam nos números reais? Onde houver divergência relevante entre percepção e medição, o achado é duplamente útil: corrige o plano e revela onde a autoimagem da equipe difere da prática.

ResponsávelGabriel + VereadorPrazoDias 75–85Concluído quandoRACI v2 publicada
3.3

Decidir a estratégia de ferramentas com base em dados

Só agora, com volume real medido, decidir entre três caminhos: (a) manter o stack gratuito, se os limites de automação não estiverem sendo atingidos; (b) contratar o plano pago do Airtable (verificar valores vigentes na decisão), se as automações estiverem no teto; (c) evoluir para módulo próprio integrado ao S.O.M., internalizando o fluxo. A decisão deixa de ser opinião e passa a ser fundamentada em números.

DecisorVereadorPrazoDias 85–90Concluído quandoDecisão registrada com justificativa
3.4

Documentar o manual de fluxos

Uma página por fluxo (demandas de rua, comunicação, agenda, jurídico): quem faz, em que ordem, em que prazo, onde registra. O manual protege o gabinete da rotatividade — o processo passa a pertencer ao mandato, não à memória das pessoas.

ResponsávelRaonny + GabrielPrazoDias 80–90Concluído quando4 fluxos documentados e validados
10

Fluxo futuro proposto

O mesmo caminho da demanda, agora com dono em cada etapa, prazo em cada transição e um ciclo que fecha no cidadão. A chefia aparece uma única vez — exatamente onde sua função é insubstituível.

Entrada única

Formulário validado — campo, WhatsApp, presencial ou e-mail, tudo converge para o mesmo registro.

Dezorzi (campo) · Maria (demais)
Confirmação automática

Cidadão recebe na hora o número de acompanhamento da demanda.

Automação
Triagem · D+2

Classificação, prioridade e encaminhamento em até 2 dias úteis.

Maria
Revisão e protocolo · D+5

Chefia revisa o mérito e decide; o protocolo no Cittá é executado na sequência, por assessor dedicado.

Gabriel (revisão) · Raonny (protocolo)
Execução + cobrança

Lista semanal de cobrança à Prefeitura, com resultado registrado no cartão.

Dezorzi
Retorno ao cidadão · D+2

Mensagem-padrão por desfecho. Sem retorno, a demanda não encerra.

Maria
Encerrada + medida

Demanda alimenta o painel: bairro, categoria, tempo, desfecho.

Painel do gabinete
Fluxo atualFluxo proposto
Dono do fluxoNinguém — passagem informal entre secretaria e chefiaMaria (operação) · Dezorzi (campo) · Gabriel (revisão) · Raonny (protocolo)
PrazosInexistentes em todas as etapasSLA por etapa, com alerta automático de estouro
RegistroDuplicado (duas pessoas) + canais paralelosÚnico, validado na entrada
Papel da chefiaCorrige, revisa, protocola, cobra e acompanha tudoRevisa o mérito e decide — o protocolo passa a assessor dedicado
Retorno ao cidadãoNão existe como etapaObrigatório para encerramento
VisibilidadeNenhuma — status vive na memória das pessoasPainel com status, tempos e mapa por bairro
11

Matriz RACI de responsabilidades

Proposta para validação do vereador na Fase 0. Cada frente tem exatamente um R e um A — é essa unicidade que elimina as zonas cinzentas.

Frente de trabalhoVereadorGabrielMariaTamirisRicardoDezorziRaonny
Demandas de rua — operação do funilICRIICC
Demandas de rua — captação e cobrança externaIACIIRI
Pedidos de providência — revisão de méritoARCICIC
Protocolo no Cittá — demandas e providênciasIACIIIR
Produção legislativa (PLs, emendas, pareceres)ACIIRIC
Comunicação — peças rotineirasIAIRIII
Comunicação — peças sensíveisACIRCII
Agenda institucional do mandatoACRIIII
Coordenação geral e fluxos internosARCCCCC
RResponsável — executa AAprovador — palavra final CConsultado — opina antes IInformado — sabe depois

As frentes "campanha" e "agenda do Giuseppe" foram deliberadamente deixadas fora desta matriz: são estruturas com atores externos ao gabinete e exigem definição própria (Passo 0.2), mas o diagnóstico registra que hoje ambas consomem tempo da comunicação e da secretaria sem qualquer papel definido.

12

Indicadores de gestão (KPIs)

Doze indicadores, todos extraíveis automaticamente das bases criadas nas Fases 1 e 2 — nenhum exige digitação extra de ninguém. Metas iniciais deliberadamente conservadoras, para calibragem na revisão de 60 dias.

#IndicadorO que revelaMeta inicialFrequência
K01Tempo médio: recebimento → triagemVelocidade de resposta do funil≤ 2 dias úteisSemanal
K02Tempo médio: recebimento → protocoloEficiência total da entrada≤ 5 dias úteisSemanal
K03% de demandas encerradas com retorno ao cidadãoFechamento do ciclo — o KPI político central≥ 90%Semanal
K04Demandas ativas por statusOnde o funil acumulaMonitoramentoSemanal
K05Demandas por bairro e categoriaMapa territorial e temático do mandatoMonitoramentoMensal
K06Demandas com estouro de prazo (SLA)Saúde do processo≤ 10%Semanal
K07Registros com erro/incompletos na entradaQualidade do formulário (Passo 1.1)Tendência a zeroMensal
K08Demandas registradas fora do canal oficialAderência à política de canaisTendência a zeroMensal
K09Tempo médio de resposta da Prefeitura por secretariaResponsividade dos órgãos — insumo políticoMonitoramentoMensal
K10Tempo médio de aprovação de peças de comunicaçãoEficácia do SLA de aprovação (Passo 2.2)≤ 24h úteisSemanal
K11Pareceres e PLs entregues no prazoProdução legislativa mensurada≥ 90%Mensal
K12Horas semanais da chefia em operação vs. estratégiaSucesso da descentralização (Achado A2)Estratégia ≥ 5h/semMensal
13

Cronograma de 90 dias

Doze semanas, três frentes paralelas. As dependências críticas estão nas duas primeiras semanas — sem as decisões da Fase 0, nada avança.

Semanas →123456789101112
F0 · Decisões estruturais (0.1–0.4)
F1 · Formulário blindado (1.1)
F1 · Entrada única + kanban SLA (1.2–1.3)
F1 · Automações (1.4)
F1 · Rito de cobrança + retorno (1.5–1.6)
F2 · Calendário editorial + SLA aprovação (2.1–2.2)
F2 · Separação de agendas (2.3)
F2 · Painel jurídico (2.4)
F2 · Rotina de feedback (2.5)
F3 · Painel de gestão (3.1)
F3 · Revisão RACI + decisão ferramentas (3.2–3.3)
F3 · Manual de fluxos (3.4)
Fase 0 — Decisões Fase 1 e 2 — Implantação Fase 3 — Consolidação
14

Decisões requeridas e conclusão

Cinco decisões dependem exclusivamente do vereador. Tudo o mais neste plano é execução — e pode ser iniciada imediatamente após cada aprovação.

Aprovar a redistribuição do fluxo de demandas de rua

Maria na operação, Dezorzi no campo e na cobrança, Raonny no protocolo do Cittá e Gabriel exclusivamente na revisão de mérito e decisão (Passo 0.1). É a decisão que destrava todas as outras.

Validar a matriz RACI — incluindo campanha e agenda do Giuseppe

As duas zonas cinzentas que só o vereador pode resolver, porque envolvem atores externos ao gabinete (Passo 0.2).

Aprovar o SLA de aprovação com aprovação tácita para peças rotineiras

24h úteis para revisão; peças sensíveis permanecem sob aprovação expressa. Sem esta regra, o gargalo de comunicação continua (Passo 2.2).

Endossar publicamente a política de canais

"O que não está no painel, não existe" só se consolida se o próprio vereador registrar — ou determinar o registro — das demandas que recebe diretamente (Passo 0.4).

Comprometer 30 minutos semanais com a reunião de pauta fixa

A presença do vereador na reunião de segunda é o que converte o painel em instrumento de gestão — e não em mais uma planilha invisível (Passo 0.3).

Conclusão

O diagnóstico é claro e, no fundo, otimista: o gabinete tem as pessoas certas nas frentes certas, autonomia alta e um problema essencialmente de arquitetura — fluxos sem dono, prazos inexistentes e ferramentas que não conversam. Nada disso exige contratação, demissão ou investimento imediato. Exige cinco decisões, noventa dias de disciplina e um princípio: transformar trabalho relevante em rotina rastreável, com responsável claro, prazo definido e retorno ao cidadão. E como todo este diagnóstico parte de dados autodeclarados — hoje inverificáveis pela ausência de rastreio —, os primeiros 60 dias de operação medida são também o teste do próprio diagnóstico: pela primeira vez, o gabinete saberá com dados, e não com impressões, como trabalha. O primeiro fluxo a fechar o ciclo — demandas de rua — é também o que devolve o maior dividendo político por real investido: zero.